domingo, 14 de outubro de 2012

Foi em silêncio que eu me ouvi pela primeira vez...




Precisei aprender com o silêncio a respeitar minha vida, valorizar o meu dia, enxergar em mim as qualidades que sei que possuo; equilibrar meus defeitos que tenho e sei que preciso ao menos tentar corrigi-los e enxergar aqueles que ainda não vi.
Mas meu silêncio é feito de gritos abafados, então...

Aprendi a me calar...
Aprendi a silenciar a palavra suave, mas cheia de ironia, que sai de sua boca ridicularizando, humilhando a quem se dirige e que lhe intoxica, provocando a dor de estômago, as náuseas ou a enxaqueca.

Aprendi a silenciar o murmúrio que sai entre dentes, destilando raiva e rancor e atingindo o alvo, que fere como punhal, ao tempo que lhe fragiliza o homem a ponto de não se reconhecer, de se assustar consigo mesmo.

Aquietei o pensamento cruel que lhe passa na mente e que, por invigilância, nele eu me detinha mais do que deveria. Você se assustaria se pudesse ver sua máscara espiritual distorcida.

Aprendi a calar o julgamento que extrapola o que vê e o que sabe, levando-o a conjeturar sobre o outro, o que não sabe e não viu, plasmando idéias infelizes que são aproveitadas pelos opositores daquele que é julgado.

Aprendi a me calar... 
Sufoquei todo e qualquer sentimento indigno, zelando pelas nascentes do meu coração, para que não macule e não seja maculado.

Aprendi... Talvez eu ainda não entenda meu silêncio, e minha ausência aparentemente sem motivos pode até causar estranhezas, mas não foi covardia, muito menos medo de prosseguir. Os sentimentos guardados em meu peito, só há Um que pode testemunhar
Há muita necessidade de silêncio...
As pessoas ansiosas por se fazer ouvir, falam cada vez mais alto, como se isso bastasse para que os outros as escutassem, mas há ocasiões em que o silêncio de uma pessoa torna-se mais sábio do que qualquer palavra que pode ser pronunciada.
Algumas vezes calamos, e descobrimos que apenas estar presente, pode tornar-se a melhor palavra.
Além de tantos exemplos, existem também aqueles tristes momentos em que não sabemos o que dizer. Talvez nesses momentos nem haja mesmo o que dizer.
O silêncio tem sua própria música; é o silêncio que nos permite ver a nós mesmos e as pessoas que nos cercam.
E em respeito, eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe dizer algo.

Adriana Rocha

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