sábado, 6 de agosto de 2011

Meu pai sempre me ajudou.



Gosto tanto de me lembrar do meu falecido pai, sempre me amou sempre confiou em mim, nunca permitiu que cometessem injustiças contra mim.



Eu era ainda menina estudava na terceira série, a caminho da escola passei na lojinha do Sr Átila e comprei na conta do seu Calisto (meu saudoso e para sempre amado pai), uma lapiseira que estava na última moda entre as meninas da escola, se não me falha a memória era uma Poli 0.5, linda e como eu queria aquilo!


Bom, sem pedir autorização comprei uma mesmo sem dinheiro em nome do meu pai, o dono da loja não titubeou em vender, meu pai era um dos homens mais íntegros da cidade, até hoje o nome dele é comentado entre os senhores que viveram neste tempo, fui pra escola como de costume feliz da vida por ter uma lapiseira nova, depois contaria pro meu pai que ele estava devendo a lojinha.


Depois do intervalo houve um alvoroço na sala de aula e a professora pedia que tirássemos tudo de dentro da bolsa, pois haviam furtado um objeto na sala de aula durante o intervalo. Por mim tudo bem, pensei, tirei tudo que havia dentro da minha mochila eu e as outras crianças da sala.


O Pior é que eu não sabia que o objeto roubado era a minha lapiseira, foi um inferno! Por mais que eu dissesse que a lapiseira era minha ninguém acreditava, também quem acreditaria? Eu era uma arteira, neguinha e pobre, me lembro bem de toda represália e o quanto fiquei triste, como se não bastasse ligaram pra minha mãe, ela era tão brava, mas tão brava que nem me deixou falar, ela mal entrou na escola eu já estava apanhando, nunca me esquecerei, apanhei muito, obvio não se deve roubar. Pobre mãezinha era muito ocupada e ela não sabia ensinar.


Voltei pra casa entre tapas e gritos dela naquele dia, meu pai só chegaria perto das 14h20min, ele trabalhava numa Empresa muito próximo de onde morávamos, ia e voltava a pé.


Eu estava no quarto quando ele chegou e foi falar: Oi Adrianinha. (risos) eu não precisava de mais nada, só precisava que ele olhasse pra mim, (quando pequena eu achava que meu pai tinha poderes especiais, pois, toda vez ele adivinhava o que estava acontecendo comigo). Continuando, quando ele me olhou perguntou por que eu estava triste, eu contei que minhas amiguinhas estavam achando que eu havia roubado uma lapiseira na escola e não era verdade. Era minha! Estava triste porque eu queria tanto aquilo, mas estava mais triste por minha mãe não ter me escutado e pela vergonha e tristeza que minha mãe tinha me feito passar me punindo daquele jeito.


Meu pai ficou muito bravo com ela também! Foi à lojinha pagou a lapiseira, comprou outra de outra cor e trouxe pra mim, fiquei feliz, mas o que eu não imaginava é que no dia seguinte ele faltaria no trabalho (o que ele não fazia nem mesmo doente) e iria até a escola resolver esse assunto na frente de todos, já que apanhei na frente de todos. Ele mandou chamar os pais da menina que levou minha lapiseira, a menina, a diretora, a professora, os faxineiros a esquadrilha da fumaça, a cavalaria, o Batmam, meu pai chamou todo mundo e apresentou a notinha da lapiseira que eu comprei no dia anterior antes de ir à escola e exigiu que me devolvessem a lapiseira e me pedissem desculpas, porém quando os pais da menina chegou já veio com o objeto na mão dizendo que a filha havia esquecido a dela em casa e achou que tinha levado para a escola, pediram desculpas também, mas lembro-me do simples discurso do meu pai em minha defesa diante daquelas pessoas: a minha filha é uma boa menina, eu sei quem ela é, é minha, ela é incapaz de roubar qualquer coisa de alguém, sou pobre, mas tudo que ela me pede eu dou...


Foi bom fazer uma caminhada hoje logo pela manhã, pude chorar por muitas coisas, inclusive de saudade do meu pai, as lembranças vem a nossa mente para alimentar uma aliança de amor não destruir, nem para nos angustiar. Num momento de tristeza olhei para os montes que cercam meu bairro e me lembrei de algo que às vezes me esqueço, eu tenho um Pai que não morre o Sr Calisto imortal em mim e o Sr Jesus que só de olhar pra mim sabe o que fazer pra me ajudar. Obrigada Deus, pelo meu pai, pelo teu Filho e pelo Seu Santo Espírito que sempre me traz a memória lembranças que me aproximam de Ti.


Esta é uma homenagem ao meu Pai, ao meu pai, ao seu pai, a você que é pai.
 Feliz semana a todos os pais e feliz dia dos pais.
 Não desista dos seus filhos, eles são herança de Deus na terra.

13 comentários:

PAULO ARIAS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
PAULO ARIAS disse...

Esse momento que voce recorda e nos conta com emoção, serve para refletirmos sobre os pequenos e singelos momentos que vivemos em companhia do pai; as pequenas ações, as poucas palavras, os mínimos gestos, sorrisos, silêncios, preocupações, distâncias, slegrias, tristezas e tudo mais. Serve para termos a certeza que Deus nos concedeu a oportunidade e o privilégio de conviver e aprender, mesmo por pouco tempo, com o nosso pai.
Eu ainda convivo com meu pai (Leopoldo), que no próximo dia 20 completa 80 anos e, como voce, agradeço sempre a Deus.
Obrigado a voce, Adriana, por nos levar à boa reflexão e a reconhecer, ao menos um pouco, o valor que nosso pai merece!

Marcos Perrin disse...

Dizem que Mãe é uma só, mas Pai tambem é único, aquele de nos protege, ensina e Ama acima de tudo. os dois nos completam desde o nascimento.

***Adriana Rocha*** disse...

Dr Paulo. Imortal e falecido pai. Quero vê-lo sorrir pra mim ma Glória por ver que aprendi cada uma de suas lições. São doces as recordações e quero que meus filhos tenham de mim também futuramente, tenho lançado a semente. Obrigada pelo comentário carinhoso.

***Adriana Rocha*** disse...

Verdade Marcos há pais adotivos também que são melhor que pais biológicos pai é Pai.

Missionária Bella Dourado disse...

Poxa Adriana...
Também ando sentindo falta de meu pai e neste dia dos pais vou fazer o que ele pedia em vida - sei que muitos ficarão decepcionados , mas não tom nem ai sei que o Pai maior entenderá e não verá maldade alguma.

Abraços solidarios com sua saudade.

Com carinho; Bella

***Adriana Rocha*** disse...

É o que importa Bella o Pai não entender maldade em nossos atos. Obrigada pela visita bjão

Eduardo Medeiros disse...

Bela homenagem...boas recordações. pai heroi. pai super-pai. tenho um assim também. honestidade foi o que ele melhor me ensinou.

beijos e bom domingo.

***Adriana Rocha*** disse...

Oi Edu! Então beije-o, abrace-o sempre que puder diga o quanto o ama, os coroas se amarram demais nisso rs. bj no coração fica com Deus

Non Nattus Júnior disse...

Olá Amicíssima Virtual,Adriana!

Parabéns pela singela e ao mesmo tempo comovente homenagem ao seu pai.E os adjetivos que ele clasificava vc,o tempo mostrou que Ele estava correto.E cada exemplo que Ele te aprovaria,é amaior prova de que Ele continua vivo em tua pessoa.

Uma coisa que me chama atenção quando nos referimos aos nossos avós e pais . Eles eram formados na simplicidade ,integridade , honestidade...E fico pensando : Como nós seremos lembrados por nosos descendentes??

Um abraço nesta alma maravilhosa!

***Adriana Rocha*** disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
***Adriana Rocha*** disse...

Non Nattus,peocupo-me demais com isso!
Quero que eles se lembrem de uma mãe que luta de joelhos, amiga e protetora deles sem nunca deixar a simplicidade ,integridade , honestidade que foi extraída de meu Pai e do meu pai.
Minha filha comentou comigo: "Mãe, quando você morrer acho que todos que te conhecem vão dizer; Está era uma louca por Jesus, brigou até ir morar com ele".
Quero deixar isso marcado na vida deles também, para que num momento de aflição lembre-se de como a mamãe fazia, isso vai muito além de ensinar, pouca teoria e muita demonstração. Obrigada pela visita tãaaao agradável beijo no coração da família amicíssimo e querido Non Nattus...

***Adriana Rocha*** disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Walgreens Printable Coupons